Farofa Total



"Os novos ventos de apoio à produção e à distribuição"
(Euclides Amaral)

O texto é sobre internet, sites de relacionamento (Facebook, Orkut e MySpace), plataformas colaborativas de financiamento de discos, show, livros e clipes, os chamados “Crowdfunding” (catarse.me”, o “movere.me”, “benfeitoria.com” e o “multidão”). Sites de exposição dos produtos como YouTube, Sonora, Trama e Oi Novo, além de  empresas que possibilitam o financiamento de novos artistas como Oi e Vivo; de roupas, como Levi’s; de refrigerantes, como Coca-Cola; portais na internet, como Terra, fabricantes de automóveis como a Volkswagem e Audi, ou de celular, como a Nokia e a Motorola, bancos como o Bradesco; companhias aéreas como a TAM, Natura, Avon e a mineradora Vale, enfim... um breve panorama das novas formas de produção e distribuição musical neste início de século.

Valeu lembrar que a Natura patrocinou mais de 130 projetos musicais, nos quais constam 205 shows, 40 CDs/DVDs, além de worshops, palestras, festivais e oficinas.

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A origem do termo “Samba” e o surgimento do samba moderno
(Euclides Amaral)


Possivelmente o termo "Samba" é uma corruptela do termo "di semba", que significa umbigada, palavra de origem banto africana, provavelmente do Congo ou de Angola (com seus muitos dialetos como o kikongo, humbundo e kimbundo), de onde... 


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A origem do vocábulo “Choro”
(Euclides Amaral)

Sobre a origem do vocábulo “Choro” existem várias teorias e explicações, das quais destaco apenas quatro, todas, muito bem fundamentadas por pesquisadores respeitados.


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Euclides Amaral por Revista das Gravadoras
(Euclides Amaral)

O repórter musical Elias Nogueira, da revista das gravadoras, entrevistou o poeta e pesquisador musical, Euclides Amaral, que falou da carreira e de algumas de produções fonográficas e impressa.


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Download grátis do livro "Alguns Aspectos da MPB", Esteio Editora, 2010)


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A MPB agradece
(Euclides Amaral) 

A partir da década de 1980 a MPB ganhou vários títulos, geralmente biografias de músicos, intérpretes e compositores, sempre bem vindas, assim como estudos de movimentos musicais, tais como títulos sobre a produção mais recente, incluindo os festivais dos anos 60/70, movimentos coletivos como Novos Baianos, pelo letrista Galvão; o pessoal do Clube da Esquina, dos anos 70, pelo letrista Márcio Borges e volumes sobre o Brock dos anos 80. Porém, poucos livros foram publicados sobre instrumentos musicais, principalmente sobre percussão, tão discriminada nas orquestras e plantadas bem atrás, assim como nos shows de vários artistas.
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Os Primórdios do Cinema Nacional
(Euclides Amaral) 


O texto "Os Primórdios do Cinema Nacional" perpassa todo o começo do cinema mundial, em 1895, na França, chegando às primeiras produções nacionais no começo do século XX, sempre calcado na dinâmica da sonorização das películas neste período de 1895 a 1929 no mundo. 
As diversas técnicas de sonorização da película e o "jeitinho brasileiro" neste período 
também são ressaltados.

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O INÍCIO DA PRODUÇÃO MUSICAL (IN) DEPENDENTE NO BRASIL
(Euclides Amaral) 

Para iniciar este pequeno ensaio, no qual o foco são basicamente os discos independentes, as pequenas gravadoras e os selos, transcrevo um trecho da entrevista dada por Paulo César Pinheiro à Luiza Nascimento, do jornal on-line “A Nova Democracia”, no ano de 2003. Entrevista muito elucidativa com relação ao assunto a seguir.

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NÉLSON RODRIGUES, O MALDITO NECESSÁRIO
(Euclides Amaral)

Nelson Rodrigues nasceu no Recife em 23 de agosto de 1912 e faleceu em 21 de dezembro de 1980, no Rio de Janeiro. Seu pai era jornalista e dono de jornal. Teve um irmão assassinado na própria redação. Era irmão do comentarista de futebol Mário Filho, nome verdadeiro do Estádio do Maracanã. Sua irmã foi casada com o poeta e tradutor Antônio Fraga.

Escreveu romances, folhetins, crônicas, contos e peças de teatro. Atuou como comentarista de futebol e chegou a trabalhar como ator em uma de suas peças, mais precisamente, “Perdoa-me por me traíres”, ao lado de Gláucio Gil. Teve várias de suas obras adaptadas para cinema e televisão, principalmente para casos especiais da Rede Globo.

Considerado extremamente reacionário, era capaz de fazer comentários satisfatórios em relação à ditadura militar instalada no Brasil de 1964...



OS SONHOS DE BÁRBARA
(Euclides Amaral)

Muitas mulheres são significativas para a história política e cultural do país, por exemplo, Beatriz Ferrão, a primeira musicista e pianista brasileira nascida em 1792 em Minas Gerais e bem anterior à carioca, sempre reverenciada, Chiquinha Gonzaga (1847/1935); Anita Garibaldi (Santa Catarina 1821/Roma 1849), braço direito do marido, o revolucionário italiano Giusseppe Garibaldi, na Revolução Farroupilha de 1835; as paulistas Anita Malfaltti e Tarsila do Amaral, duas agitadoras da pintura pré-Modernista e a antropofágica escritora paulista Patrícia Galvão. Na década de 1970 a niteroiense Leila Diniz modificou conceitos femininos sem queimar um único sutiã. A baiana Mãe Menininha do Gantois fez a cabeça de Jorge Amado, Dorival Caymmi, Vinicius de Moraes, Maria Bethânia e Gilberto Gil, entre outros desse quilate. A cearense Raquel de Queiroz destaca-se por suas mulheres de fibra, e tão femininas, que povoam seus romances. Contudo, que me perdoem as outras, nenhuma é mais importante para a história desse país quanto Bárbara de Alencar.
Nascida em Exu, Pernambuco, em 11 de fevereiro de 1760 Bárbara Pereira de Alencar foi casada com o capitão português José Gonçalves dos Santos, com o qual teve os filhos Tristão Gonçalves Pereira de Alencar (1789), José Martiniano de Alencar (1794), pai do romancista José de Alencar, Carlos José dos Santos e Joaquina Maria de São José. Mas seria no Ceará que ela se destacaria como a primeira revolucionária brasileira. Ao lado do filho, o Diácono José Martiniano de Alencar (depois Senador do Império), liderou no Crato um braço da Insurreição Pernambucana de 1817, proclamando a Independência do Brasil e a República do Crato em 3 de maio. Durante oito dias Bárbara de Alencar foi a presidente do Crato. A revolução foi reprimida pelo Conde dos Arcos, a mando do jovem D. Pedro. Bárbara fugiu para a Paraíba, onde foi presa e enviada para a cidade de Icó, mais tarde para Fortaleza, sendo trancafiada no Forte de Nossa Senhora da Assunção, onde foi torturada e logo depois transferida para Recife e Salvador. Libertada em 17 de novembro de 1820 viu falecer os filhos Carlos e Tristão no ano de 1824 na Confederação do Equador, revolução que se propagou pelas províncias nordestinas. Faleceu em 28 de agosto de 1832 na cidade de Touro, no Piauí. Sua cela, localizada no centro histórico de Fortaleza, sempre foi muito visitada por turistas e historiadores. Reconhecida postumamente recebeu diversas homenagens através dos anos, como a de ter dado nome ao Centro Administrativo do Governo do Ceará (Centro Administrativo Bárbara de Alencar). Também foi fundado o CCBA - Centro Cultural Bárbara de Alencar, em Fortaleza, no qual em 11 de fevereiro de cada ano são entregues a três mulheres a “Medalha Bárbara de Alencar”, por suas ações em prol da sociedade. Na Praça da Medianeira, na avenida Heráclito Graça, existe uma escultura sua, além de rua com seu nome no centro de Fortaleza e ainda uma instituição de ensino na mesma cidade.

Trecho do depoimento atribuído à Bárbara de Alencar:

“Quem me pedirá contas de meus atos?
meu marido, meus filhos, o meu Ceará?
Quem combate o bom combate não sucumbe.
Eu colho na derrota toda a minha vitória.”

O cantor Luiz Gonzaga sempre a reverenciava em shows na cidade de Cariri, onde Bárbara iniciou suas ações revolucionárias. O cantor e compositor cearense Ednardo lançou em 1976 o LP “Do boi só se perde o berro”, lhe prestando homenagem na música “Passeio público”, da qual destaco os seguintes versos:

“Hoje ao passar pelos lados
das brancas paredes do forte
escuto ganidos de morte
vindos daquelas janelas
é Bárbara, tenho certeza
é Bárbara, sei que é ela
que de dentro da fortaleza
por seus filhos e irmãos
joga gemidos no ar
que sonhos tão loucos
foi Bárbara sonhar”

Segundo o etnólogo Luís da Câmara Cascudo: “A revolução de 1817 foi a mais linda, inesquecível, arrebatadora e inútil das revoluções brasileiras”.

Para o professor Chico Alencar a insurreição teve significância singular: “Mesmo com o grande fracasso, a Revolução Liberal Pernambucana de 1817, nos seus 75 dias, foi o mais longo e mais importante precursor da independência”.

Referências bibliográficas sobre o tema:
ALENCAR, Francisco; CARPI, Lúcia e RIBEIRO, Marcus Venício. História da sociedade brasileira. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico S/A, 2ª edição, 1981.
ARAÚJO, Ariadne. Bárbara de Alencar. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, [S.D].
EDNARDO, Do boi só se perde o berro. LP – Gravadora RCA Victor, 1976.
BRANDÃO, José Carlos. Poema “O cárcere de Bárbara de Alencar” In O sangue da terra. Ceará: Secretaria de Cultura do Ceará, 2010.

 
ENTREVISTA COM VICTOR BIGLIONE
(Euclides Amaral)

O jornalista Elias Nogueira entrevistou Victor Biglione que falou da carreira, do novo disco “Tangos tropicais” (Biscoito Fino, 2010) coproduzido por Nelson Motta, da segunda edição do livro “O Guitarrista Victor Biglione & a MPB”, de Euclides Amaral, com orelha escrita por Ricardo Cravo Albin e prefácio de Sergio Natureza, lançado em 2011 e dos prêmios ganhos com a trilha sonora do filme “Elvis & Madonna”, de Marcelo Lafitte, além dos novos shows, no Brasil e no exterior, para o ano de 2011.

>> Clique aqui para ler a reportagem completa no blog do Elias Nogueira

 

 

“ANA TEODORO, A MÃE DO BISPO!”
(Euclides Amaral)

Quem nunca ouviu a expressão “Vai se queixar com a mãe do Bispo!”?

Essa expressão perdurou por vários anos, mas precisamente, por vários séculos pela cidade do Rio de Janeiro dos séculos XVIII, XIX e XX.
Ainda na década de 1970, quando eu era adolescente, cheguei a ouvir essa expressão em casa. Minha avó, Laura Amaral (1900/1977), sempre a usava.

Mas por que o povo cunhou a expressão no início do século XVIII? Realmente existiu uma mãe do Bispo? Quem era essa pessoa? Quem foi esse Bispo?

A história verdadeira sobre essa mulher, tão importante em sua época, começou exatamente no ano de 1731, quando a senhora Ana Teodoro Ramos de Mascarenhas se mudou para um casarão situado onde hoje é a Cinelândia. Neste mesmo local, a Cinelândia de hoje, também situava o Convento de Nossa Senhora da Conceição da Ajuda, fundado em 1750, na confluência das ruas Evaristo da Veiga (antiga Rua dos Barbonos) e 13 de Maio (antiga Rua da Guarda-Velha). Quase em frente ao Convento ficava o Seminário São José, fundado em 1739, nas encostas do Morro do Castelo, onde hoje se encontra a Biblioteca Nacional.

Conta uma lenda urbana, carioca, que os escravos construíram um túnel ligando o Convento (onde estudavam as futuras freiras) e o Seminário (onde estudavam os futuros padres). Construído em 1906 o Palácio Monroe, foi demolido em 1976 para as obras do metrô carioca. Reza a lenda que na construção do metrô esse túnel fora descoberto, mas os órgãos competentes nunca confirmaram a estória, não se sabe se por pressão da Igreja ou se é apenas mais uma lenda urbana.

Voltando à Ana Teodoro, o casarão em que residiu entre os anos de 1731 e 1805 ficou conhecido como “Casa da Mãe do Bispo” e era muito procurado devido ao prestígio que a proprietária possuía junto à população, chegando até a exercer a função de juíza em vários tipos de pendências e desentendimentos. Deste modo cunhou-se na época a expressão “Vá se queixar à mãe do bispo”.

E porque Mãe do Bispo? Porque ela era mãe do Bispo da Igreja Católica da época, o senhor José Joaquim Justino Mascarenhas Castelo Branco, que ela, com sua grande influência política, conseguiu fazê-lo Bispo do Rio de Janeiro.

Após a demolição do Seminário, dando lugar à Biblioteca Nacional e diversos edifícios no lugar do Convento a “Casa da Mãe do Bispo” foi demolida dando lugar ao “Largo da Mãe do Bispo”, em homenagem a ela, que já havia falecido no início do século XIX. Logo após a Proclamação da República o “Largo da Mãe do Bispo” foi renomeado para “Praça Floriano”, que é o verdadeiro nome da Cinelândia. Ambos, a Cinelândia e a Praça Floriano são considerados pontos emblemáticos do Rio de Janeiro como referência histórica-arquitetônica da cidade.

Quanto ao nome Cinelândia, esse só surgiu bem mais tarde, na década de 1910, quando o espanhol naturalizado brasileiro Francisco Serrador Corbonell
inaugurou no Rio de Janeiro a “Companhia Cinematographica Brazileira” e na década seguinte, consumou seus empreendimentos na cidade com os edifícios Capitólio e Glória (1925), Odeon e Império (1926) dotados de cinemas suntuosos, lojas, cafés, confeitarias, restaurantes e até rinques de patinação, criando na cidade a “Cinelândia”, considerada a “Broadway Brasileira”.

Mas Ana Teodoro não seria esquecida de todo e ganharia na década de 1980 uma singela homenagem, desta vez pelo decorador paulista Júlio Senna. Radicado no Rio de Janeiro, e morador da Urca, Júlio Senna nomeou o platô natural, onde morava, situado na Pedra da Urca, de “Largo da Mãe do Bispo”. Em 1989 o jornalista e crítico musical Ricardo Cravo Albin adquiriu o imóvel e manteve o nome. No ano de 2001 o “Largo da Mãe do Bispo” foi incorporado ao recém-criado Instituto Cultural Cravo Albin e passou a receber diversos eventos musicais.

Vale lembrar que o referido platô também é um local emblemático para a história da cidade. Neste local existiu uma tribo tupi que chamava de “pau-nd-açuquã” (tradução: morro isolado e pontudo), a grande pedra que em português ganhou o nome de Pão de Açúcar. Bem próximo dali, também na Urca, no Morro Cara de Cão, o Governador-Geral do Brasil (entre 1558/1572) Mem de Sá e seu primo (ou sobrinho, há controvérsias) Estácio de Sá fundaram a Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, expulsando os franceses encastelados no Outeiro da Glória e comandados por Nicolas Durand de Villegaignon. Mas essa já é uma outra estória.

Euclides Amaral é poeta e pesquisador de MPB

Referências bibliográficas sobre o assunto:
ALBIN, Ricardo Cravo. Um olhar sobre o Rio: crônicas indignadas e amorosas – anos 90. São Paulo: Editora Globo, 1999.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 2ª ed. Esteio Editora, 2010.
MARANHÃO, Ricardo. Cinelândia – Retorno ao fascínio do passado (Colaboração: Eliane Wasinger Lustosa Brasil). Rio de Janeiro: Letra Capital Editora, 2ª edição, 2003.
MINEIRO, Procópio. “A Guerra do Cabo Frio”. In O Prelo – Revista de Cultura da Imprensa Oficial e Órgão do Conselho Estadual de Cultura do Rio de Janeiro. Ano VIII nº 23 maio/junho/julho, pp. 20-24. Rio de Janeiro: Imprensa Oficial, 2010.

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